A dança como forma de re-conexão com a sua própria forma de mover-se na Vida.

Temos um corpo.

Dançando com os dentes (e com a Gio). Em workshop de Dançaterapia, no mét. Maria Fux.

Para além de toda a intensidade das emoções, apesar do pulsar do coração na velocidade ágil dos pensamentos, temos um corpo que se move e dança.


É exatamente esse corpo, inclusive, que se constitui como um baú protetor das nossas emoções, sentimentos, sensações,

pensamentos...


Pensando alto, com meus botões, se fizéssemos uma analogia com o trabalho do pintor, corpo e emoções, talvez o corpo seria o pincel, as emoções seriam a expressão e a obra de arte o resultado dessa interação. Talvez corpo e emoções fosse uma coisa só, trabalhando numa obra-prima: a Vida.


Temos um corpo que nos sustenta e, facilmente nos esquecemos que o temos.

Ou que ele nos têm.


Um corpo-casa, com a beleza da individualidade de cada um, expressa em movimentos e trejeitos tão singulares. Dançamos porque somos. Somos porque dançamos.




E isso acontece desde os tempos imemoriais.


Desde os tempos mais longínquos a dança fez parte de manifestações na história da humanidade.


Inicialmente, na pré-história, como sinal de exuberância física ou tentativa primitiva de comunicação.

Posteriormente, a dança surge como ritual direcionado à celebração das forças da natureza, à mudança de estações. Aparece ainda em culto aos deuses, ritos de fertilidade etc.


Maria Fux, uma senhora de quase 100 anos, criadora do método Maria Fux de Dançaterapia, começou seu trabalhos com surdos... Ela diz que ao dançar "os potenciais adormecidos no corpo se transformam quando ele, ao mover-se, se expressa em uma linguagem não-verbal, que vai produzindo, ostensivamente, mudanças positivas, não apenas corporais, mas também psíquicas".


Maria também nos diz que o corpo, quando se movimenta no espaço realiza sequencias que são seu universo. E através daquilo que sente e vive, transforma seu ritmo interno em sons - que podem ser palavras - e se o desenvolve no espaço, com seu corpo, pode expressar aquilo que é: seus medos, suas angústias, suas alegrias.




Para pensar na utilização da dança como ferramenta arteterapêutica, venho lhes trazer uma imagem. A imagem é a de uma criança, antes de completar três anos. Um bebê, ainda bem pequenino. Antes mesmo que saiba se levantar e andar, sentadinho, ele já se chacoalha ao ouvir sons musicais. Quando aprende a se levantar, em uma malemolência só sua, a música toca e seu corpo balança.Dançar é parte da origem da humanidade e a humanidade dança para se conectar e comunicar consigo, com a eternidade e com os outros seres que o cercam.  


Dançar nos coloca no momento presente. Apesar disso, a depender da dança utilizada, podemos nos conectar com o que já passou ou ainda com o que há de vir, com o que projetamos para o futuro, com o que sonhamos que aconteça...


Em caráter complementar, segundo Almeida, o trabalho expressivo de conscientização corporal possibilita o acesso a imaginação criadora, tendo em vista que a linguagem do corpo, tem mais afinidade com o pensamento imaginativo. As imagens vêm através de sensações sinestésicas ou da linguagem simbólica. A vivência destas imagens mediada pela atuação do corpo, pode possibilitar que venha à luz o que antes não era possível ser nominado. Amplificando-se então com base em outros recursos e/ou técnicas criativas temos ainda mais capacidade de gerar cor e forma.


Além disso, em Arteterapia, o fato da dança possibilitar contato com todas as nossas partes - incluindo nossos aspectos sombrios, as diferentes personas que nos habitam, os mais diversos movimentos advindos estes das diferentes partes do corpo, etc. - nos possibilita um encontro bastante concreto (e até mesmo físico) com quem realmente somos.

"O movimento ajuda o indivíduo a centrar-se em si mesmo. " (Marion Woodman)

O corpo que se expressa livremente através das imagens facilita a passagem destas, do plano mental para o sensorial afetivo. Ao serem trazidas a consciência, por meio do diálogo que se estabelece entre inconsciente e consciência a prática acaba, por fim, contribuindo ao processo de individuação.

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