A escrita criativa como ferramenta de acesso ao nosso cuidador interno.


" A palavra é uma isca para pegar aquilo

que é não-palavra.

E quando conseguimos,

a palavra cumpriu sua missão..."

(Clarice Lispector)


Na arteterapia, múltiplas são também as possibilidades de utilizarmos o poder da palavra.


Por ser a escrita uma técnica pela qual grande parte das pessoas já é familiarizada, ela acaba se mostrando um recurso seguro, para pessoas com medo de criar. Ela trás simplicidade operacional e nesse lugar que ocupa acaba contribuindo para o desbloqueio da criatividade.


Quem aqui já teve o hábito de cultivar um diário pode compreender na prática o quanto a escrita contribui para a ordenação de temas, sistematização de idéias, registro de interesses, acolhimento de histórias, relicário de sonhos e organização de sentimentos.


Escrever proporciona estrutura à vida de quem escreve.


Essa infinitude de possibilidades pode inclusive caminhar lado a lado com outras técnicas expressivas não-verbais, possibilitando ainda a amplificação das mesmas ou a obtenção de desdobramentos a partir delas - o que pode engrossar a Voz e ampliar Conteúdo sobre o repertório inconsciente de Si.


Por meio da escrita, podemos fazer Poesia, conversar por meio de imagens metafóricas, trazer à tona a descrição dos sons e os ritmos internos. Ao darmos voz, oralizando a escrita, brincando entre pausas e diferentes entonações me parece que toma ainda mais força a capacidade de integração das imagens simbólicas descritas à consciência do sujeito que lê, decora ou recita.


É muito comum ouvir das pessoas sobre o quanto escrever alivia, trazendo a sensação de "botar para fora". E ao botar para fora, temos também uma nova chance de olhar a vastidão que estava aprisionada dentro.


Temos a chance de desfazer nós transformando-os em laços e então nos reorganizar.


Escrever leva a concretude da compreensão sobre quem somos e como estamos no instante da escrita.


O compartilhamento em grupos ou pares dessa escrita, permite ainda, o estabelecimento e fortalecimento de vínculos, o reconhecimento da singularidade e diversidade humana e ao mesmo tempo nos aponta caminhos para o encontro de semelhanças em nossas trajetórias de Vida.


Escrever trás a capacidade de registro.

Nos possibilita conter lembranças.

E reler antigos registros pode, ao acionar o botão da memória, nos auxiliar a cultivar a beleza de quem fomos um dia proporcionando admiração pelos olhos do presente.

Angela Philippini, nos fala que a escrita serve como "documentário de afetos".


Ressalto aqui a escrita criativa - também dita por Clarice Lispector como "escrever distraídamente"... Clarice descreve essa escrita falando sobre como ela a conduz a "se obedecer" verdadeiramente, "se seguir mesmo sem saber aonde será levada". Ela fala que ao utilizar a escrita espontânea ela sente que não é capaz de "mentir sobre o sentimento", apenas seguindo-o, "quase que sem o processo" criativo.


O que Clarice e a escrita criativa nos trás, na realidade, é o ato de escrever sem amarras, desconectados de uma preocupação "com a letra, com a gramática, com a coerência, com a lógica", escrever distraídamente como se o ato de gravar palavras no papel fosse uma porta para o acesso a conteúdos inconscientes.


E é!




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