A jardinagem, um ofício sagrado.

Existe uma voz dentro de todos os seres humanos que vez o outra os convoca para o contato com a Natureza.


Nos dias atuais, no entanto, nos dedicamos cada vez menos ao contato com a Terra.


Corremos pra lá e pra cá, nos fechamos em recintos com pouca claridade, sob o ar condicionado, em frente às telas.


Uma hora ou outra, a Alma sente-se estafada.

Tanta conexão com a tecnologia, nos afasta da conexão com a nossa essência natural de vida.

Com o nosso lado mais instintivo e selvagem.


Tocar a terra nos trás essa essência de volta.



De três anos pra cá, eu que sempre gostei muito de plantas, tenho me dedicado mais profundamente ao contato com a Terra. E tenho aprendido tanto, com ela...



Meu ateliê fica na minha casa, mais pontualmente em uma sala integrada ao jardim. Ali ao lado, a horta cresce para nos nutrir; as árvores frutíferas nos presenteiam com limões, manga, jabuticaba, graviola, dentre outras delícias; as cachorras correm atrás dos pássaros...


Quando chego cansada do trabalho ou quando a cabeça está completamente tomada por preocupações, basta retirar os sapatos e pisando na grama ir até o pé de alecrim ou de manjericão para sentir o perfume presentado por eles.


À roseira e à minha mini-plantação de lavandas me dirijo para coletar pétalas quando quero preparar um banho de cheiro.



Vasinhos de várias cores enfeitam a garagem de casa. Ali gosto de fazer um trabalho mais artístico, criando mini-jardins de suculentas, misturando uma espécie com outra, testando possibilidades.


Há também o "hospital" - local onde as plantinhas dodóis e que estão precisando de mais atenção ficam para se recuperar das aflições que lhe atingiram.


A natureza nos dá tanto!


É engraçado... Quando converso com as pessoas, tem gente que só admira de longe e fala: - Menina, você tem o dedo verde! Eu não acredito nessa afirmação, até porque já fui a pessoa que dizia que "não plantava porque não tinha dedo verde", porque "todas as plantas morriam na minha mão"!


Eu hoje acredito que tem mais haver com a disponibilidade para o cuidado, com o poder da observação, com a intuição e o afeto.


Exatamente por isso, acredito que a jardinagem também é capaz de curar.



Quando a gente semeia, planta, quando retiramos mudas, quando colhemos, quando aguamos, quando retiramos as folhinhas secas das plantas, quando realizamos poda, preparamos arranjos, firmamos um apoio, quando capinamos ou rastelamos... Na verdade, estamos fazendo com as plantas todo serviço que precisamos fazer com a nossa própria Vida.


É um trabalho sem fim! - dizem os jardineiros. Sim... Podemos passar dias e dias cuidando de um jardim (eu fiz uma imersão de férias no meu próprio jardim que durou 30 dias e saí esgotada sem "concluir" o serviço) e quanto mais cuidamos, mais possibilidades de cuidar se fazem. É aí que está a graça.


Na jardinagem, nos deparamos também com algo Maior, que é a força do Divino.



Um passarinho que espalha uma semente que brota, a chuva que cai do céu e transforma a grama cor-de-palha em verde-bandeira, a mudinha que você não acreditava que ia sobreviver às férias longe de você que floresce.


Muitos cursos emergem em todos os cantos - e que bom que as pessoas estão estudando mais e mais sobre a Natureza. Precisamos mesmo recuperar nossas matas, plantar mais, levarmos verde aonde pudermos... Mas sabe, vou contar um segredo: não é preciso muito! A natureza é grátis e tá bem aí na sua frente. Com pouquíssimo recurso você pode transformar um lugar inóspito e árido em aconchego e refresco.


É com esse olhar que daqui pra frente vou começar a trazer conteúdos sobre jardinagem.


- Um olhar terapêutico.

- Um olhar que conta histórias de transformação à partir da minha vivência pessoal de cuidado com o jardim.

- Um olhar de quem se transforma ao transformar o ambiente que cerca.

- Um olhar cuja sabedoria reside muito mais na prática e na observação do que em estudos.

- Um olhar de quem gosta de conversar com entendedores de jardim.

- Um olhar de quem nasceu em uma família com várixs jardineirxs e que carrega no sangue uma sabedoria que, arrisco dizer, é ancestral.

- Um olhar de quem está acima de tudo, aberta, a também aprender mais e mais...


Vou adorar ter vocês comigo em mais essa empreitada!


Grande abraço com cheirinho de mato e gostinho de hortelã pra vcs,

Isa.

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