Recortar e colar: um quebra-cabeça da alma!


"Eu demorei muito tempo tentando fazer essa colagem... Quando conseguia encaixar uma peça outra se desencaixava. "


"Quando eu penso em quem eu sou, vejo que estou com os braços cruzados. Muita coisa fica guardada na minha cabeça, mas eu vejo que os braços ainda estão cruzados. Preciso agir mais."


Esses insights surgiram após uma oficina de produção de auto-retratos construídos a partir da técnica de colagem.


E não é de se estranhar que elas tenham aparecido...


A colagem é uma técnica com uma grande facilidade operacional e que permite que a pessoa que a executa experimente a montagem de seus próprios quebra-cabeças da Alma. Algumas vezes esse processo flui com tranquilidade, outras, nem tanto... Se permitir viver esses estranhamentos, no entanto, é positivo - uma vez que trás uma certa organização a aspectos até então desconhecidos, permitindo-os serem encarados e então: cuidados.


Do início ao fim, ela pode ser bastante terapêutica.


O simples processo de observar e selecionar imagens em revistas, jornais, embalagens ou de reunir picotes de papéis, aviamentos, tecidos... Tudo isso pode ser extremamente prazeroso ao mesmo passo que promove interações entre o Ser e a sua psique. Eu acredito que absolutamente todas as imagens ou materiais que usamos em quaisquer produções artísticas (e não só nas colagens), por mais aleatório que seja o processo de escolha dos mesmos, dialogam com aspectos subjetivos de quem se coloca a Criar. Esses elementos sempre surgem para comunicar algo: beleza, alegria, prazer, estranheza, dor, tristeza, etc. Penso que se os escolhemos ou se eles nos escolheram é porque ali algum sentido há de existir ou de ser criado. Dialogar com essas diferentes matérias-primas reverbera em nossa Alma, trazendo à razão aspectos que necessitamos integrar.


Os elementos da obra dialogam conosco e podem comunicar uma série de aspectos de nossa psique. Basta investigar - tarefa essa que quando amparada por um profissional de arteterapia, pode nos levar a insights importantes sobre nós mesmos.


- Quais as cores presentes nessas imagens selecionadas?

- O que essas cores comunicam para quem a selecionou?

- O vazio que ela deixou (na revista, na embalagem, no jornal) comunica algo?

- E o local que ela ocupou na obra criada?

- Que fatos ou acidentes de percurso aconteceram durante o processo criativo?

- Algo se sobrepôs a essa imagem? O que foi?

- A imagem criada a partir dessa imagem é uma imagem "limpa" ou repleta de camadas? O que essa característica "de limpeza" ou de poluição representa?

- É uma imagem figurativa ou abstrata?

- Quais as sensações que tal imagem lhe trazem?

- Que outras imagens estarão próximas a ela?

- Como elas dialogam entre si?


Todas essas e tantas outras questões podem surgir em um processo arteterapêutico no qual utilizamos a técnica de colagem (ou ainda qq outra técnica artística). A medida que vamos buscando respostas a essas perguntas ou avançando em nossos processos de criação vamos também desvelando caminhos para nossas indagações internas. Da mesma forma, vamos traçando caminhos de desconstruções, construções e re-construções que nos conduzem cada vez mais à nossa plenitude enquanto Seres individuais e únicos que Somos.


Angela Philippini, em seu livro Linguagens e Materiais Expressivos em Arteterapia: uso, indicações e propriedades ao descrever as possibilidades que a Colagem nos oferece, relata que ela:


  • É indicada para cronologias diversas;

  • Representa uma linguagem de grande facilidade operacional, sendo portanto, muito útil no processo arteterapêutico;

  • Tem propriedade ordenadora;

  • É estruturante;

  • Facilita processos de sintetizações;

  • É integradora.

Em relação ao segundo ponto descrito, observo que a colagem trás segurança às pessoas que se mostram apreensivas frente ao processo de Criar e tal característica amplia também as oportunidades de estabelecimento do vínculo terapêutico. Urrutiguaray, em Arteterapia: a transformação pessoal pelas imagens nos apresenta que essa técnica, por se tratar de uma tarefa em que o atuar como artista fica como que simulado, a ansiedade por não considerar-se um artista (opa! opa! quem não é?) reduz-se, possibilitando uma entrega mais confiante ao processo criativo.


Nesse contexto, possuir uma Caixa Sagrada de Imagens alimentando-a cotidianamente a partir da garimpagem de imagens possibilita termos em mãos um tesouro pronto para ser trabalhado - em qualquer momento que o coração pedir (seja ele terapêutico ou simplesmente como um hobby criativo). E como já foi dito acima, esssas imagens estão em tudo. Para além de revistas e jornais, podemos encontrá-las em papéis de presente, embalagens industriais, guardanapos de festas de aniversário, folders e propagandas impressas, etc. Outra possibilidade é realizar misturas com materiais como tecidos; papéis de diferentes cores e texturas; fotografias; materiais orgânicos como sementes, flores e folhas; fitas e fitilhos, confeitos, lantejoulas etc.


A vivência do espaço sagrado é a possibilidade de encontrar "o lugar onde possa vivenciar e trazer à tona o que se é e o que se pode ser. A vivência do sagrado é a possibilidade de dar luz à experiência, filha da criação incubada."
(J. Campbell, em O Poder do Mito)

De uma mesma imagem, diz Philippini, podemos retirar ou inserir segmentos, ou de várias imagens podemos formar uma só, criando novos significados e possibilidades de configurações simbólicas.


Abaixo compartilho um lindo e profundo insight de uma das mentoradas no projeto Pílulas Arteterapêuticas - um projeto que criei no intuito de aproximar mulheres de diferentes técnicas expressivas com alguns objetivos concretos: resgatar o prazer, facilitar uma reconexão com o potencial criativo existente em cada uma delas, promover auto-conhecimento e gerar transformação. O relato fala por si só, sobre o poder que a colagem é capaz de trazer.


"Me mostro a mim através dessas duas máscaras. Auto-retratos momentâneos de mim, feitos de recortes, fios, lantejoulas e cola. Eles revelam ALGUNS dos papéis que desempenho em minha trajetória, porque OUTROS também habitam dentro de mim. Esses recortes simbolizam as várias partes de mim, que se completam e se complementam sempre. Possuo várias dualidades; isso é humano. Tenho recortes de alegria e tristeza, coragem e medo, rigidez e flexibilidade, monocromia e multicores, bagunça e ordem. Compreender que viver é abraçar uma jornada de se aventurar, percorrer a grandeza e a profundidade que me habitam e que habito, me faz afirmar: - É impossível me conhecer por inteiro. Tenho muitos EUs dentro de mim, me transformo a todo instante. Isso é belo, porque sempre terei uma nova viagem a fazer e sempre conhecerei novos lugares e encontrarei novos recortes em mim. Nessas múltiplas viagens encontro equilíbrio, individuação e bem-estar."


Cês nem imaginam o AMOR que sinto no meu coração quando surgem esses relatos!!!


Na vivência de grupo online, como arteterapeuta, além de fornecer as técnicas expressivas, promover um cenário propício às mulheres que desenvolvam esses potenciais, ampará-las no processo criativo eu trago à luz alguns conceitos junguianos - teoria esta que ampara o meu trabalho profissional. Também realizamos trocas por webconferências, partilhando umas com as outras nossos aprendizados e sentimentos em relação às vivências. Tem sido um processo muito lindo e o mais legal é que a experiência piloto se tornará um produto aqui da Eu te dou a minha Paz - o qual em breve, vocês poderão adquirir. Lá no Instagram já estou recolhendo os números de telefones das interessadas e se você quer participar é só me escrever dizendo seu nome e número para eu inserir na lista de espera.


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