• Isabella Stephan

Recortar e colar: um quebra-cabeça da alma!


"Eu demorei muito tempo tentando fazer essa colagem... Quando conseguia encaixar uma peça outra se desencaixava. "


"Quando eu penso em quem eu sou, vejo que estou com os braços cruzados. Muita coisa fica guardada na minha cabeça, mas eu vejo que os braços ainda estão cruzados. Preciso agir mais."


Esses insights surgiram após uma oficina de produção de auto-retratos construídos a partir da técnica de colagem.


E não é de se estranhar que elas tenham aparecido...


A colagem é uma técnica com uma grande facilidade operacional e que permite que a pessoa que a executa experimente a montagem de seus próprios quebra-cabeças da Alma. Algumas vezes esse processo flui com tranquilidade, outras, nem tanto... Se permitir viver esses estranhamentos, no entanto, é positivo - uma vez que trás uma certa organização a aspectos até então desconhecidos, permitindo-os serem encarados e então: cuidados.


Do início ao fim, ela pode ser bastante terapêutica.


O simples processo de observar e selecionar imagens em revistas, jornais, embalagens ou de reunir picotes de papéis, aviamentos, tecidos... Tudo isso pode ser extremamente prazeroso ao mesmo passo que promove interações entre o Ser e a sua psique. Eu acredito que absolutamente todas as imagens ou materiais que usamos em quaisquer produções artísticas (e não só nas colagens), por mais aleatório que seja o processo de escolha dos mesmos, dialogam com aspectos subjetivos de quem se coloca a Criar. Esses elementos sempre surgem para comunicar algo: beleza, alegria, prazer, estranheza, dor, tristeza, etc. Penso que se os escolhemos ou se eles nos escolheram é porque ali algum sentido há de existir ou de ser criado. Dialogar com essas diferentes matérias-primas reverbera em nossa Alma, trazendo à razão aspectos que necessitamos integrar.


Os elementos da obra dialogam conosco e podem comunicar uma série de aspectos de nossa psique. Basta investigar - tarefa essa que quando amparada por um profissional de arteterapia, pode nos levar a insights importantes sobre nós mesmos.


- Quais as cores presentes nessas imagens selecionadas?

- O que essas cores comunicam para quem a selecionou?

- O vazio que ela deixou (na revista, na embalagem, no jornal) comunica algo?

- E o local que ela ocupou na obra criada?

- Que fatos ou acidentes de percurso aconteceram durante o processo criativo?

- Algo se sobrepôs a essa imagem? O que foi?

- A imagem criada a partir dessa imagem é uma imagem "limpa" ou repleta de camadas? O que essa característica "de limpeza" ou de poluição representa?

- É uma imagem figurativa ou abstrata?

- Quais as sensações que tal imagem lhe trazem?

- Que outras imagens estarão próximas a ela?

- Como elas dialogam entre si?


Todas essas e tantas outras questões podem surgir em um processo arteterapêutico no qual utilizamos a técnica de colagem (ou ainda qq outra técnica artística). A medida que vamos buscando respostas a essas perguntas ou avançando em nossos processos de criação vamos também desvelando caminhos para nossas indagações internas. Da mesma forma, vamos traçando caminhos de desconstruções, construções e re-construções que nos conduzem cada vez mais à nossa plenitude enquanto Seres individuais e únicos que Somos.